Panturrilhas? Para quê?

Os enigmas que envolvem esse grupo muscular tão desejado pelos brasileiros.

As panturrilhas, popularmente conhecidas como “batata da perna”, são músculos localizados nos membros inferiores, compostos basicamente pelos Gastrocnêmio e Sóleo (também conhecidos como tríceps sural). Esse grupo muscular é formado por três ventres (porções) de uma mesma inserção, o tendão de Aquiles (Ele se insere na face posterior do calcâneo (calcanhar). A porção mais profunda é o Sóleo, que se origina na parte de trás da tíbia e fíbula (osso da perna) – de sua parte mais alta – e atravessa duas articulações: o tornozelo e a subtalar (abaixo do tornozelo). O Sóleo é recoberto por duas porções mais superficiais: o gastrocnêmio medial e lateral, que vem da parte inferior do fêmur por um tendão que encobre a parte de trás de ambos os conditos femorais. Os gastrocnêmios formam o contorno da panturrilha, e além do tornozelo e da subtalar, também atravessam a articulação do joelho (Drecoll, 1997).

Além de ser vista, pela grande maioria, como uma parte do corpo de valor apenas estético, essa região muscular (muito questionada quando falamos sobre hipertrofia), é considerada sem importância fisiológica. Mas será que isso é verdade? Qual a sua importância? Para que serve?

Quando falamos sobre estética todos sonham com a aquela panturrilha bem definida e com um certo volume muscular, mas muitos atribuem o mal desenvolvimento à questões genéticas, outros, entretanto, desistem de treiná-las porque acreditam que não adianta insistir.

Segundo o site especializado Cirurgia-Planstica.com, o músculo da panturrilha possui fundamental importância na estética dos membros inferiores, e quando desenvolvido, proporciona definição e beleza ao praticante de atividade física. Homens e mulheres buscam aumentar as panturrilhas por motivos geralmente diversos. Enquanto o público masculino busca a cirurgia plástica para enfatizar a musculatura e o visual atlético, as mulheres geralmente o fazem para obter um equilíbrio anatômico, de modo a tornar a perna mais proporcional com a cintura e quadril.

Dentre os métodos aplicados nos últimos anos, temos a bioplastia e o implante de silicone nas panturrilhas. Ambos os procedimentos oferecem excelente resultado estético, permitindo aumentar panturrilha sem necessidade de enfrentar maratonas de exercícios em academias.

Panturrilhas? Para quê?

– Prótese de Panturrilha: Essa cirurgia consiste na implantação de uma prótese de silicone, aplicada pela dobra posterior do joelho. A cirurgia é realizada sob anestesia geral, possui duração média de 40 minutos e requer resguardo de exercícios para os membros inferiores, de pelo menos 30 dias.

Bioplastia Panturrilha: A bioplastia consiste na injeção de um biomaterial , o PMMA, no interior da musculatura, proporcionando o aumento de seu volume. Ela é realizada ambulatoriamente, sob anestesia local e possui duração média de 30 minutos, sendo o paciente liberado logo após o procedimento.

Mas para aquelas pessoas que fazem questão de queimar suas calorias e não tem preguiça de enfrentar um bom treino na academia, algumas dicas são muito importantes na hora da execução e prescrição do exercício.


Um artigo publicado no site Treino Total escrito por Braulio Colmanetti dá algumas dicas de como realizar uma série de exercícios para as panturrilhas:

– O movimento: Ele deve ser completo na fase excêntrica (descida) alongar ao máximo o músculo trabalhado e na positiva (subida) ficar totalmente nas pontas dos pés. É importante que mantenha o tempo todo o halux apoiado na plataforma.

– A carga: Deve ser aquela que permita um movimento completo. Não adianta colocar 200 kg na máquina e mal estender os pés.

– Velocidade: O exercício deve ser realizado em velocidade moderada. Nada de deixar o peso despencar na fase excêntrica ou arremessá-lo na concêntrica. Isso não ajudará em nada. Estudos recentes demonstram que os resultados (hipertrofia) são superiores quando a mesma velocidade é aplicada tanto na fase excêntrica quanto na concêntrica do movimento. Tal fato deve-se ao aumento de irrigação sanguínea no músculo por conta do aumento da intensidade do movimento. Havendo rompimento satisfatório e maior de fibras musculares o resultado é certo.

– Número de repetições: Saia da mesmice e procure variar em cada treino. Em um, por exemplo, faça com menos repetições e com cargas que permitam um número menor de repetições entre 8 a 15; no outro, realize mais repetições com uma sobrecarga melhor. Isso proporcionará variação de intensidade entre volume e sobrecarga, dificultando adaptação do músculo ao estimulo e consequentemente, darão um up em suas panturrilhas.

– Número de treinos durante a semana: No Máximo três vezes na semana em dias alternados e no mínimo duas.

Os exercícios mais executados pelos adeptos à academia são: Flexão Plantar na escada ou no step, Gêmeos em Pé na máquina, Burrinho, Gêmeos sentado, Leg Press.


Todos os exercícios feitos para a panturrilha têm biomecanicamente a mesma função, porém a variação das séries estimula o sistema nervoso a fazer uma leitura diferente de cada exercício. “Assim, o atleta ativa outros feixes musculares. Isso garante o desenvolvimento de toda a musculatura da panturrilha”, afirmou Paulo Mazieiro, 27, professor e personal trainer da Academia Runner. Para os adeptos à corrida, essa é uma musculatura muito solicitada durante a corrida e exerce uma grande importância no movimento e impulsão.

Segundo a Revista O2, na corrida, a panturrilha trabalha a força inicial e final da passada. “Na entrada da pisada, ela ajuda a estabilizar o movimento da perna. O fortalecimento, feito com exercícios de sobrecarga e alongamento, melhora a velocidade e a amplitude da passada”, explicou o treinador da Life Training Assessoria Esportiva, Leandro Sandoval, pós-graduado em fisiologia do exercício pela Unip.

Uma das funções mais importantes da panturrilha, é a capacidade das ações do músculo, na ação da hemodinâmica venosa.

Segundo Belczak (2007), diferentemente do sistema periférico, que é influenciado por altas pressões transmurais, o sistema venoso é o maior afetado por pressões externas, formando uma unidade funcional com os tecidos circundantes. Há mudanças evidentes na parede venosa e na função da bomba muscular, como um fator vital na fisiopatologia da doença venosa. Com a idade, as veias soleares tornam-se dilatadas e tortuosas. Além disso, estudos têm demonstrado que a flexão dorsoplantar decresce com a idade, sendo aproximadamente 15% menor na oitava década da vida quando comparada a terceira.

A mobilidade da articulação talocrural (tornozelo) aliada à competência valvular venosa, trabalhando simultaneamente, constituem o motor que impulsiona o retorno do sangue venoso ao coração, via às relações anatômicas existentes entre nervos, músculos, tendões, cápsula, ligamentos e cartilagens. Tem sido observado que a redução do movimento dessa articulação constitui fator agravante da IVC dos MMII, pois assim é limitado ou anulado a ação da mais importante bomba impulso-aspirativa dos membros inferiores, que é a bomba muscular da panturrilha.

A compressão dos músculos sobre as veias, o relaxamento alternativo das mesmas e a ação unidirecional de suas válvulas, proporcionam uma ação de “ordenha”, semelhante à ação do coração.

Segundo Arnoldi, citado por Alimi ET AL., o funcionamento normal da bomba da panturrilha é definido como a habilidade de manter o fluxo venoso do membro inferior (MI) igual ao fluxo arterial durante o exercício, sem que haja dilatação das veias do MI e mantendo uma baixa pressão nessa região. Esse funcionamento adequado possui um importante papel da reabilitação de portadores de IVC.


Portanto, não deixem de treinar suas panturrilhas, façam séries especificas na academia, movimentem-nas, caminhem, corram e não as tratem somente como algo estético. Seu bom funcionamento será de grande importância para sua longevidade e qualidade de vida.

Referencias Bibliográficas:


-Drecoll EL, Rohen JW. Atlas der Anatomie – Die funktionellen systeme dês menschen. 1997 Verlag FK, Stuttgart – New York.

-BelczakCEQ, Calalheri G, Gody JMP, Caffaro RA, Belczak SQ. Relação entre a mobilidade da articulacao talocrural e a úlcera venosa. J. Vasc. Br. Vol.6. no.2 Porto Alegre, June 2007. -Braulio Colmanetti B. Dê um pump em suas panturrilhas. 2009. Disponível em: http://www.treinototal.com.br/revista/2009/08/18/treino-panturrilhas-batata-da-perna-gemeos-musculacao/. Acesso em 27 de outubro de 2011. -Martin F. Panturrilha forte. 2008. Disponível em:
http://o2porminuto.uol.com.br/scripts/materia/materia_det.asp?idMateria=2169&idCanal=5&stCanal=1. Acesso em 21 de outubro de 2011.

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